O
Partido da Social Democracia Brasileira, PSDB, foi fundado em 25 de
junho de 1988. É, portanto, o mais jovem dos grandes partidos
brasileiros. Mas é, também, o partido que mais cresce no Brasil.
Mais que isso, não há na História brasileira registro de partido
político que tenha crescido tão rapidamente, tanto em termos de
organização como em resultados eleitorais.
Dez anos depois de sua fundação, o PSDB já estava presente em todo o
território nacional. Tem mais de um milhão de filiados e acumulou
vitórias sucessivas em todas as eleições realizadas desde então. Nas
duas últimas eleições - 1996 e 1998 -, a despeito do suposto
desgaste de ser governo e implementar um programa de reformas que
envolvia cortes de despesas e revisão de direitos insustentáveis, o
Partido dobrou o número de prefeitos, triplicou o de vereadores,
cresceu nas Assembléias Legislativas, elegeu 7 governadores, 16
senadores e 99 deputados federais, além de reeleger o presidente
Fernando Henrique Cardoso [veja a biografia e foto oficiais no site
da Presidência da República - http://www.planalto.gov.br/homepre/fhc
já no primeiro turno, com 35,8 milhões de votos. Foi o partido mais
votado para os governos estaduais em 1998 (considerando-se os dois
turnos), com 29,3 milhões de votos e elegeu o maior número de
governadores.
A trajetória eleitoral do PSDB é uma "história de sucesso", mas não
pode ser confundida com outros "cases" de marketing político em que
as vitórias, decorrentes da demagogia ou do abuso dos poderes
econômico e político, se revelaram efêmeras e frustrantes para o
eleitorado. Pelo contrário, os resultados eleitorais positivos têm
razões concretas e comprováveis: o ponto de partida é o compromisso
com a democracia e o projeto de país, expressos no programa e em
outros documentos do Partido (para ler os documentos do partido e
textos sobre o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso
consulte o site do partido: index.asp/Partido/Partido). A segunda
grande fonte de prestígio dos tucanos pode ser encontrada na prática
de seus membros nos Legislativos e Executivos de todo o País, dos
mais modestos municípios à Presidência da República e ao Congresso
Nacional. Esse compromisso com o Brasil tem o nome de Partido da
Social Democracia Brasileira desde 1988. Mas já existia antes disso.
Antecedentes
O PSDB
tem uma longa "pré-história". Como partido, surgiu durante os
trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte. No entanto, pode-se
encontrar os nomes de seus fundadores, lutando pelos mesmos ideais
de hoje, nos momentos mais dramáticos da vida nacional há várias
décadas. Por defenderem os princípios democráticos e o
desenvolvimento com justiça social, muitos dos fundadores e atuais
líderes tucanos passaram por prisões, exílios e tiveram seus
mandatos cassados.
Quase todos os fundadores do Partido integraram o chamado "PMDB
histórico" antes de 1988. E não é por acaso que formavam a linha de
frente da campanha pelo restabelecimento das eleições diretas para
presidente da República, como ocorreu no grande comício da Praça da
Sé, em São Paulo, quando os futuros tucanos foram liderados pelo
então governador paulista e posteriormente Presidente de Honra do
Partido Franco Montoro.
As lideranças que fundaram o PSDB sempre defenderam a necessidade de
que o País contasse com um sistema partidário pluralista mais
sólido, com agremiações organizadas em torno de projetos políticos.
Por algum tempo acreditaram que seria possível fazer com que o PMDB
evoluísse de sua condição de frente de oposição ao autoritarismo
para a de autêntico partido. Na sua avaliação, o tempo da
resistência à ditadura havia passado. Era chegado o momento de
construir uma democracia moderna e estável. Para isso, era preciso
fortalecer e atualizar a ação política em torno dos princípios que
já se encontravam estabelecidos no programa peemedebista, rejeitar
as adesões oportunistas e não mais tolerar que membros do partido
agissem de forma contrária à ética e aos postulados partidários.
Em 1986, a decisão do governo Sarney de manter o Plano Cruzado de
combate à inflação sem que se fizessem ajustes, necessários mas
impopulares no curto prazo, deu ao PMDB uma vitória arrasadora nas
eleições legislativas e para governador - apenas um governador (o de
Sergipe) não foi eleito pelo partido. Isso fez com que o partido
"inchasse" com muitos políticos que pouco tinham em comum com o
grupo histórico. O fato foi percebido pela população, contribuindo
para desacreditar os eleitos identificados com o governo. Foi nessa
época que algumas das lideranças do grupo começaram a avaliar a
possibilidade de criar um novo partido.
A fundação de um partido político sério não é resultado dos impulsos
de indivíduos contrariados em seus propósitos. Os "históricos"
sabiam disso. Era preciso esgotar todas as possibilidades de
soluções menos traumáticas e amadurecer a idéia. Além disso, havia a
Assembléia Nacional Constituinte, cujos trabalhos começariam em
fevereiro de 1987. Permanecer no PMDB significava, para os
"históricos", influenciar decisivamente no rumo dos trabalhos e no
teor da futura Constituição - o que não ocorreria se reduzidos a um
pequeno partido, ainda que composto por pessoas idôneas e capazes.
Os constituintes que hoje integram o PSDB e vários parlamentares que
chegaram a participar das discussões sobre o novo partido mas
acabaram não abandonando a antiga legenda por motivos regionais
(caso de grande parte da bancada gaúcha, por exemplo), ocuparam
cargos importantes na Constituinte. Respeitados por seu preparo e
por sua integridade - como o presidente da "Comissão de Notáveis"
que elaborou o anteprojeto da Carta, senador Afonso Arinos de Melo
Franco - deram uma contribuição decisiva para que a Constituição
tivesse muitos dos méritos que possui, embora não fossem
suficientemente numerosos para evitar que ela incluísse dispositivos
cujo teor - é hoje evidente - deveriam ter outra redação, tal como
vem sendo proposto por meio de emendas apresentadas pelo governo
Fernando Henrique Cardoso e por sua base parlamentar, tucanos à
frente.
A preocupação com o estabelecimento de uma democracia moderna e
estável levava a maioria dos futuros tucanos a defender a adoção do
regime parlamentarista e o mandato de quatro anos para o presidente
da República. A proposta, contudo, foi derrotada (a decisão foi
transferida para um plebiscito marcado para cinco anos após a
promulgação da Carta) num processo ao longo do qual o presidente
José Sarney, conforme denúncias da oposição, recorreu à máquina
pública para seduzir os parlamentares sem posição definida quanto ao
mandato presidencial de cinco anos. A insatisfação aumentou durante
o ano de 1987 fazendo com que os parlamentares mais desgostosos
criassem o Movimento de Unidade Progressista (MUP), cujos membros
mais tarde se uniriam ao PSDB.
A decisão de formar um novo partido vinha amadurecendo desde o final
de 1987. "A tendência mais forte é para deixar mesmo o PMDB com
outros colegas, partindo para a formação de um novo partido, de
cunho socialista democrático", confirmou à imprensa, em 16 de março
de 1988, o então líder peemedebista no Senado, Fernando Henrique
Cardoso. A grande dúvida era quanto ao momento para fazê-lo. Parte
do grupo considerava que o novo partido devia ser fundado
imediatamente a fim de permitir que o grupo atuasse com maior
desenvoltura e se preparasse para as eleições marcadas para aquele
mesmo ano. Outros, como Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro,
José Richa, José Serra e Euclides Scalco defendiam a permanência no
PMDB até a promulgação da nova Constituição. O ato chegou a ter hora
marcada: 72 horas após a promulgação, como ficou decidido em reunião
realizada na casa do deputado Pimenta da Veiga, em 05 de maio.
Em 18 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que
regulamentava as eleições municipais de 1988. A nova Lei Eleitoral,
que permitia a participação de candidatos de novos partidos desde
que estes contassem com representantes de pelo menos cinco Estados
no Congresso, e o aumento da tensão política anteciparam a criação
do PSDB. "Até o final de junho o novo partido deverá estar fundado",
previu Pimenta da Veiga, em 19 de maio.
O programa e o estatuto do novo partido, cuja minuta fora elaborada
por Fernando Henrique Cardoso e José Serra com o auxílio de
economistas que viriam a ocupar cargos importantes no Governo
Federal, foram discutidos por 40 parlamentares reunidos em Brasília,
em 03 de junho. Aproximava-se o grande dia.
Nasce o novo Partido
"Longe
das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo
partido". Esta afirmação de repúdio ao clientelismo e de compromisso
com os interesses populares serviu de epígrafe para o Manifesto do
Partido da Social Democracia Brasileira (nome escolhido pela maioria
dos presentes, derrotando a opção Partido Democrático Popular),
aprovado juntamente com o Estatuto e o Programa do Partido, nos atos
de fundação realizados nos dias 24 e 25 de junho de 1988, em
Brasília. O evento teve a participação de 1178 pessoas, entre as
quais o ex-governador Franco Montoro; o senador Mário Covas,
ex-líder da maioria na Assembléia Constituinte; o senador Fernando
Henrique Cardoso, e o senador José Richa. Subscrito por 40 deputados
e 8 senadores, o Manifesto convocava o povo brasileiro a prosseguir
na luta por mudanças sociais e políticas e definia os princípios e
objetivos do PSDB.
Fundadores do PSDB
(conforme ata da reunião realizada em 24 e 25 de junho de 1988)
|
André Franco Montoro |
SP
|
|
Célio de Castro |
MG
|
|
João Gaspar Rosa |
SC
|
|
Pompeu de Sousa |
DF
|
|
Ricardo Furlan Rodrigues |
SP
|
|
Luiz Eduardo Caminha |
SC
|
|
José Freitas Nobre |
SP
|
|
Luiz Carlos Bresser Pereira |
SP
|
|
Neylor José Toscan |
PR
|
|
Fabio Feldmann |
SP
|
|
Guiomar Namo de Mello |
SP
|
|
Renildo Soares Vilar |
MG
|
|
Francisco das Chagas Rodrigues |
PI
|
|
Paulo de Tarso Tavares Silva |
PI
|
|
Claudio de Sena Martins |
SP
|
|
Antonio Perosa |
SP
|
|
Sérgio Longman |
PE
|
|
José Cruz Macedo |
DF
|
|
Geraldo Alckmin Filho |
SP
|
|
Luiz Benedicto Máximo |
SP
|
|
Ester Monteiro da Silva |
RJ
|
|
Dirce Tutu Quadros |
SP
|
|
Antonio Rubens Costa de Lara |
SP
|
|
Gilda Figueiredo Portugal Gouvêa |
SP
|
|
Saulo Queiroz |
MS
|
|
Vanderlei Macris |
SP
|
|
Ruth Corrêa Leite Cardoso |
SP
|
|
Ziza Valadares |
MG
|
|
Waldir Alceu Trigo |
SP
|
|
Camillo Calazans de Magalhães |
DF
|
|
Nelton Friedrich |
RS
|
|
Afonso Arinos de Melo Franco |
RJ
|
|
José Lucena Dantas |
DF
|
|
Robson Marinho |
SP
|
|
Antonio Carlos Tonca Falseti |
SP
|
|
Therezinha Marcolin Scalco |
PR
|
|
Rose de Freitas |
ES
|
|
José Ignacio Ferreira |
ES
|
|
José Carlos Grecco |
SP
|
|
Koyu Iha |
SP
|
|
Carlos Cotta |
MG
|
|
Cássio Gonçalves |
MG
|
|
Artur da Távola |
RJ
|
|
Sílvio Abreu |
MG
|
|
Paulo Lacerda |
DF
|
|
Deni Lineu Schwartz |
PR
|
|
Fernando Leça |
SP
|
|
Vera Lucia Barreto Moreira |
DF
|
|
Euclides Girolamo Scalco |
PR
|
|
Mauro Campos |
MG
|
|
Vicente Joaquim Bogo |
RS
|
|
Vasco Alves |
ES
|
|
Caio Pompeu de Toledo |
SP
|
|
Hermes Zaneti |
RS
|
|
Moema São Thiago |
CE
|
|
João Bastos Soares |
SP
|
|
Maria da Glória da Veiga Moura |
DF
|
|
José Guedes |
RO
|
|
José Oliveira Costa |
AL
|
|
Virgildásio de Senna |
BA
|
|
Maria de Lourdes Abadia |
DF
|
|
Jayme Santana |
MA
|
|
Joaquim dos Santos Andrade |
SP
|
|
Carlos Mosconi |
MG
|
|
Anna Maria Rattes |
RJ
|
|
Volnei Garrafa |
DF
|
|
Octávio Elísio Alves de Brito |
MG
|
|
Sérgio Roberto Vieira da Motta |
SP
|
|
Eduardo Jorge Caldas Pereira |
DF
|
|
José Richa |
PR
|
|
José Roberto Magalhães Teixeira |
SP
|
|
Maria Delith Balaban |
DF
|
|
Cristina Tavares |
PE
|
|
Eliézer Rizzo de Oliveira |
SP
|
|
Sergio de Otero Ribeiro |
DF
|
|
Pimenta da Veiga |
MG
|
|
Amarilio Proença de Macêdo |
CE
|
|
Francisco Mariano da Rocha de Souza Lima |
DF
|
|
Fernando Henrique Cardoso |
SP
|
|
Clovis de Barros Carvalho |
SP
|
|
Valter Rodrigues Veloso |
DF
|
|
Mário Covas Júnior |
SP
|
|
José Maria Guimarães Monteiro |
SP
|
|
José Aristides de Moraes Filho |
DF
|
|
Luiz Carlos Sigmaringa Seixas |
DF
|
|
José Paulo Bisol |
RS
|
|
Odaisa Fernandes Ferreira |
RO
|
|
João Gilberto Lucas Coelho |
RS
|
|
José Edgard Amorim Pereira |
MG
|
|
Ecléa Terezinha Fernandes |
RS
|
|
José Serra |
SP
|
|
Raymundo Theodoro Carvalho de Oliveira |
RJ
|
|
Geraldo Campos |
DF
|
|
José Afonso da Silva |
SP
|
|
Heloneida Studart Soares |
RJ
|
|
Tomaz Gilian Deluca Wonghon |
RS
|
|
Francisco de Assis Küster |
SC
|
|
Maria Laura de Souza Carneiro |
RJ
|
|
José Duval Guedes Freitas |
RJ
|
|
Ronaldo Cezar Coelho |
RJ
|
|
José Roberto Bassul Campos |
DF
|
|
Maria Silvia Elias Lauandos |
SP
|
|
Beth Azize |
AM
|
|
Juarez Marques Batista |
MS
|
|
Tercília Maria M. Xavier |
RS
|
|
Vilson Luiz de Souza |
SC
|
|
Leonardo Nunes da Cunha |
MS
|
|
Renan Calheiros |
AL
|
|
Carlos Heitor Pioli |
MG
|
Em 1990
houve eleições para governadores, e legislativas (1/3 do Senado,
Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas). Foi a primeira
disputa nesses níveis da qual participou o PSDB. O resultado foi um
notável crescimento da legenda. Na Câmara dos Deputados, o partido
elegeu uma bancada de 38 deputados federais (8 do Ceará, 6 de Minas
Gerais, 8 de São Paulo e outros 9 de outras unidades da Federação.
No Senado, a bancada aumentou para 9 com a eleição de Beni Veras, do
Ceará. Nas disputas estaduais, o PSDB elegeu o governador do Ceará,
Ciro Gomes, e o vice-governador do Rio Grande do Sul, João Gilberto
Lucas Coelho, além de 67 deputados estaduais (contra os 30 que
possuía anteriormente), em 19 estados.
A segunda Convenção Nacional do PSDB se realizou em 1º de setembro
de 1991, na seqüência das convenções municipais (16/06) e Regionais
(04/08), resultando na escolha da Executiva Nacional que dirigiria o
Partido até 1993 sob a presidência de Tasso Jereissati. Pouco
depois, em 25 de outubro, o Partido promoveu seu I Encontro Nacional
de Dirigentes Estaduais, que teve por objetivo discutir a situação
do País e a estratégia para as eleições municipais de 1992.
A rejeição do adesismo nunca impediu o PSDB de ampliar seus quadros
e bancadas. Assim, um levantamento feito durante o Encontro de
Dirigentes Estaduais de outubro de 1991 indicou que o Partido
contava com 134 Prefeitos (em comparação com os apenas 18 eleitos
pela legenda em 88), 25 Vice-Prefeitos e 1.994 Vereadores (dos quais
apenas 214 eleitos pela legenda em 88). Havia 65 Deputados Estaduais
tucanos e, no plano federal, a bancada era de 9 Senadores e 41
Deputados. A essa altura, o Partido estava organizado em 2.026 dos
4.539 Municípios brasileiros, possuindo 1.432 Diretórios
constituídos e 594 Comissões Provisórias designadas. Com menos de
dois anos de existência, o PSDB conseguira estabelecer Diretórios
Regionais em 22 Estados e Comissões Regionais Provisórias nos 5
restantes.
Impeachment e governabilidade
A situação nacional seguia delicada em 1992. A inflação voltara e
cresciam as evidências de que a corrupção envolvia os mais próximos
colaboradores do Presidente da República, como denunciara seu irmão,
Pedro Collor, em abril daquele ano. Em 29 de setembro, a Câmara de
Deputados aceitou o pedido de abertura de processo de impeachment
contra Collor que, em conseqüência, foi afastado do cargo, assumido
interinamente pelo vice-presidente, Itamar Franco. A interinidade
durou 88 dias e terminou com o afastamento definitivo de Collor, que
teve seus direitos políticos cassados por oito anos, em 29 de
dezembro.
Em meio às turbulências do processo de impeachment, o Brasil
realizou eleições municipais que surpreenderam o mundo pelo clima de
tranqüilidade. O pleito foi, também, um marco na história do PSDB,
que elegeu 293 Prefeitos, 297 Vice-Prefeitos e 3.274 Vereadores.
Estes números, comparados aos da eleição de 1988, representavam um
crescimento de aproximadamente 1.500%.
Ao assumir efetivamente o cargo de Presidente da República em
virtude do impeachment de Collor, Itamar Franco formou um Ministério
partidariamente amplo, do qual o PSDB, preocupado com a preservação
das instituições democráticas, participou com alguns de seus líderes
mais qualificados. Paradoxalmente, o fato de que o País tivesse
superado sem maiores incidentes uma crise institucional tão grave
quanto o afastamento do primeiro presidente eleito em 30 anos
renovou na população a confiança no Presidencialismo. Esta foi uma
das razões pelas quais uma das mais caras propostas do PSDB - a
implantação do Parlamentarismo - fosse derrotada no plebiscito
previsto pela Constituição sobre a forma e o sistema de governo. A
votação ocorreu em abril de 1993. Quase um terço dos eleitores não
compareceram às seções eleitorais ou anularam o voto. Dos demais,
66% optaram pela República e 10% pela Monarquia. O Presidencialismo
teve cerca de 55% dos votos, contra 25% do Parlamentarismo.
Plano Real
A derrota no plebiscito não abateu os tucanos, que assumiram
crescentes responsabilidades no governo Itamar Franco, em particular
na área econômica, onde o insucesso nas tentativas de estabilizar a
moeda fazia com que os ministros da Fazenda se sucedessem no cargo.
Essa situação perdurou até junho de 1993, quando o Presidente da
República entregou a pasta ao tucano Fernando Henrique Cardoso,
então no Ministério das Relações Exteriores. Ao invés de tentar mais
um "pacote econômico" com resultados espetaculares no curto prazo,
mas desastrosos após alguns meses, o ministro e sua equipe adotaram
medidas que resultaram num plano de estabilização que só seria
efetivado, sob condições adequadas e sem congelamentos, em 1º de
julho de 1994 - o Plano Real.
O Plano Real, que segundo alguns economistas foi a 12ª tentativa de
estabilização da moeda brasileira desde o final da década de 1970,
foi o único a conseguir conter a inflação de forma duradoura. Isso
permitiu que o presidente Itamar Franco concluísse seu mandato com
elevados índices de popularidade, ao mesmo tempo que o levou a
apoiar a candidatura do tucano Fernando Henrique Cardoso à sua
sucessão nas eleições de outubro de 1994.
Um tucano no Planalto
As eleições presidenciais, legislativas e para governadores em 1994
representam a maioridade eleitoral do PSDB. Sob a liderança da
candidatura presidencial de Fernando Henrique Cardoso, que venceu a
disputa ainda no primeiro turno, os tucanos conquistaram os governos
de seis estados, inclusive São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais,
elegeram 11 senadores, 63 deputados federais e 97 deputados
estaduais.
O sucesso do Plano Real indiscutivelmente contribuiu para a vitória
mas, ao contrário do que ocorrera em 1986 com o PMDB, não havia uma
bomba de efeito retardado armada para o dia seguinte à abertura das
urnas. Pelo contrário, medidas duras ou tidas como impopulares, como
a contenção dos gastos públicos, a privatização das estatais e o
aumento das taxas de juros, haviam sido tomadas ou anunciadas com
antecedência. O eleitorado fez sua opção com base no que os
candidatos haviam feito e se propunham a fazer, sem truques ou
surpresas.
No plano político, o PSDB sempre entendeu que as alianças e acordos
partidários são legítimos quando realizados em torno de propostas
específicas e estabelecidos de forma transparente. Foi assim que o
Partido, considerando que seu programa de reformas só seria
vitorioso nas urnas se contasse com um respaldo mais amplo, aliou-se
ao Partido da Frente Liberal para disputar a Presidência em 1994,
tendo o senador Marco Maciel por candidato a Vice.
A inflação fora contida. Mas a estabilidade e sobretudo o
desenvolvimento exigiam reformas profundas. Isso era reconhecido
mesmo pelos setores mais lúcidos da oposição de esquerda.
Empreendê-las exigia de capacidade técnica, iniciativa política e
uma sólida maioria parlamentar - já que muitas das ações dependiam
da aprovação de emendas parlamentares. Para realizar essa guinada
num País que já amargara uma "década perdida" nos anos 80, o
presidente Fernando Henrique Cardoso montou um governo eclético de
especialistas e políticos do PSDB e dos partidos aliados. Tratou,
também, de ampliar a base parlamentar, com a adesão de outros
partidos, a fim de viabilizar a tramitação no Congresso Nacional do
projeto reformista.
Em meio ao mandato presidencial iniciado em 1994, quando a
estabilização econômica começava a mostrar seus frutos, mas as
propostas de reforma ainda enfrentavam grandes resistências, o País
voltou às urnas para a terceira eleição municipal desde a
promulgação da Constituição de 1988. As eleições para prefeitos e
vereadores de 1996 eram, também, o terceiro teste eleitoral do PSDB
e foram vistas por muitos - no governo e na oposição - como um
plebiscito indireto em relação ao desempenho do governo FHC. E o
resultado foi mais uma grande vitória. O Partido obteve cerca de 8
milhões de votos, quase 20% do total e elegeu 918 prefeitos, num
crescimento de 236%.
O resultado das eleições municipais de 1996 foi conseqüência do
trabalho desenvolvido pelo Partido em todos os níveis. As boas
administrações municipais tucanas fizeram seus sucessores em 39% dos
casos. Ao mesmo tempo, começavam a surgir os efeitos mais duradouros
das ações empreendidas pelo governo do Presidente Fernando Henrique
Cardoso. Além de estabilizar a moeda com aumento do salário real dos
trabalhadores, o governo federal desenvolvia programas sociais que
resultavam em melhores condições de vida para a população, como
reconheceram os mais respeitados organismos internacionais. A queda
da mortalidade infantil e do analfabetismo, vergonhas nacionais
desde sempre, são alguns desses sucessos.
O inesquecível Menestrel
Inspirando a atuação partidária e emprestando seu nome à entidade
formadora de quadros do PSDB estava o mais querido político
brasileiro das últimas décadas: Teotônio Vilela, o "menestrel das
Alagoas", imortalizado por Milton Nascimento. O velho senador, que
teve a coragem de romper com o Brasil arcaico a partir de suas
próprias raízes e pregar um Brasil novo, ainda ao tempo do regime
militar, agiu como o lendário herói espanhol "El Cid" e, mesmo na
morte liderou seu povo numa batalha vitoriosa. Falecido em 27 de
novembro de 1983, o "Guerreiro da Paz", como o chamou o jornalista e
ex-deputado Márcio Moreira Alves, voltou a "militar" no PSDB em 12
de janeiro de 1996, quando o Partido fundou o Instituto Teotônio
Vilela. Nessa época os tucanos alagoanos já tinham seu
representante, Teotonio Vilela Filho, senador, membro da Executiva
Nacional desde 1991 e presidente do Partido a partir de maio de
1996.
Dosando a articulação política com a força inerente às atribuições
do Poder Executivo, ambos dentro dos limites da legalidade e da
ética, o governo liderado pelo PSDB iniciou o processo de reformas
do Estado e da Constituição que se prolongariam para além do ano
2000 (abolição do monopólio em setores como petróleo,
telecomunicações, gás canalizado e navegação de cabotagem e
privatização de grandes estatais, como Companhia Vale do Rio Doce e
empresas de telecomunicações). Muito dos resultados obtidos deveu-se
à incansável atividade de um dos responsáveis pelo crescimento do
PSDB: o popular "trator" Sérgio Motta, que ocupou o Ministério das
Comunicações num momento crítico, deixando o cargo apenas quando a
morte o arrebatou ao convívio dos tucanos.
A reeleição
Em meio ao complexo andamento das reformas colocou-se a questão da
possibilidade de reeleição para os cargos executivos, uma tendência
internacional. A emenda constitucional que criava essa possibilidade
foi longamente debatida pelo Congresso Nacional, que a aprovou em 04
de junho de 1997. A norma inovadora entrou em vigor já para as
eleições de 1998 quando foram disputados os cargos de Presidente da
República, governadores, além de senadores, deputados federais e
estaduais.
Embora em plena campanha eleitoral o País tivesse sofrido as
conseqüências de uma crise financeira internacional iniciada no
Sudeste Asiático, obrigando o governo federal a cortar gastos e
elevar as taxas de juros, Fernando Henrique Cardoso tornou-se o
primeiro presidente brasileiro reeleito para um segundo mandato. E
mais, a reeleição foi obtida sem que fosse necessária a realização
de um segundo turno. Foi o que o cientista político David Fleisher
chamou de "a consagração aos dez anos". Além da Presidência da
República, eleito com 53,6% dos votos válidos, o PSDB elegeu 7
governadores e passou a contar com uma bancada de 16 senadores, 99
deputados federais e 152 deputados estaduais, mantendo sua
trajetória ascendente estabelecida desde sua fundação.
Um novo desafio
É nessa condição de Partido que mais cresce no Brasil - e que cresce
promovendo reformas (por vezes dolorosas, mas necessárias) que
permitirão ao País retomar o desenvolvimento com democracia, que o
PSDB se prepara para enfrentar as eleições municipais de 2000.
Saiba mais sobre o PSDB: consulte regularmente o site do PSDB e
cadastre-se para receber as informações distribuídas pela assessoria
da Comissão Executiva Nacional.